A tradição do Carnaval de Máscaras da Fazenda Cresciumal teve início no começo do século XX, trazida pelos primeiros imigrantes italianos e alemães que chegaram à região. Fundada no século XIX pelo Barão de Souza Queiroz, a Fazenda Cresciumal se tornou lar para esses trabalhadores, que trouxeram consigo não apenas a disposição para o cultivo do café, mas também sua rica cultura, mitos e festividades. Entre elas, destacava-se o carnaval de máscaras, inspirado nos seculares carnavais europeus. Com o passar do tempo, a tradição se enraizou e, até hoje, é preservada pelos antigos moradores da colônia de Cresciumal.

Embora não existam registros oficiais, estima-se que o carnaval rural de Leme tenha pelo menos 100 anos de história quase ininterrupta, atravessando quatro gerações. Uma das raras pausas ocorreu em 2006, quando parte da fazenda — especificamente a usina de açúcar Cresciumal — foi vendida a uma empresa francesa, resultando na demissão de inúmeros funcionários. Entre eles estavam moradores da colônia responsáveis pela confecção das fantasias. Contudo, em 2011, a paixão pela tradição falou mais alto, e os habitantes decidiram reviver a peculiar folia dos monstros da Fazenda Cresciumal. A celebração voltou a ocorrer no pátio da colônia, sempre aberta ao público na terça-feira de Carnaval.

Com o objetivo de preservar essa manifestação cultural, em 2012 o desfile de máscaras da Cresciumal passou a integrar o calendário oficial de festividades da cidade de Leme, sendo reconhecido como patrimônio imaterial do município. Essa tradição carnavalesca, preservada no interior de São Paulo, mescla monstros, palhaços e fantasias elaboradas com materiais recicláveis, refletindo criatividade e consciência ecológica.

Ao longo de um século, a festividade ganhou contornos próprios, diferenciando-se da tradição europeia original. As fantasias evoluíram, incorporando novos elementos, e o carnaval se transformou em um espetáculo coreográfico protagonizado por monstros e palhaços.

Durante a festa, dois grupos assumem papéis distintos e curiosamente invertidos. Os monstros têm a missão de dançar e celebrar, desfilando suas figuras grotescas em uma exibição impressionante de criatividade e realismo. Já os palhaços, ao contrário do esperado, não são símbolos de alegria, mas sim de travessura e caos: eles aterrorizam foliões, promovendo perseguições e assustando crianças e adultos. Uma das brincadeiras mais tradicionais envolve arremessar bexigas de boi infladas nas costas dos foliões — um costume trazido pelos imigrantes.

A preparação para a festa começa meses antes. Os moradores da fazenda recolhem bexigas de bois abatidos na região, que serão usadas nos festejos. A brincadeira se tornou tão popular que muitos participantes fazem questão de entrar na "pancadaria". Outro personagem icônico do carnaval de Cresciumal é o "linguiceiro", um palhaço que carrega uma linguiça calabresa embebida em cerveja e a passa nos lábios dos mais distraídos, deixando um gosto amargo e inusitado.

Além do caráter festivo, o carnaval também se destaca por sua vertente ecológica. A maioria das máscaras é confeccionada com papel reciclado, papel machê e outros materiais sustentáveis, como sementes, flores secas, sucata, massa de biscuit, sisal, palha de milho e sacos plásticos. O processo de produção geralmente envolve a modelagem inicial em argila, sobre a qual é aplicado o papel machê antes da decoração. Embora algumas fantasias mais modernas utilizem fibra de vidro para maior durabilidade, a tradição do reaproveitamento e da criatividade surrealista permanece viva.
Mais do que um momento de diversão, a folia dos monstros de Leme carrega uma mensagem profunda: preservar a tradição e a natureza exige, acima de tudo, reciclar ideias.
Associação fundada em 2017 com intuito de manter vivo o tradicional carnaval de máscaras de Fazenda Cresciumal realizado toda terça feira de Carnaval na Cidade de Leme SP, além de promover oficinas de criações e outros eventos destinados a cultura local.
Hoje a diretoria da AMASC é Composta por:
Helcio Resende - Presidente
Antonio Carlos Pistarini - Diretor Social
José Kilian - Tesoureiro
Pesquisa: Cibele Arle (Historiadora)
Fonte: Museu Histórico "Prof. Celso Zoega Taboas"; João Correia Filho/ Revista Planeta; Hélcio Rezende.
